Homeless World Cup: o Mundial dos sem-abrigo explicado
Um torneio anual de futebol de rua para pessoas que viveram em situação de sem-abrigo: história, regras de elegibilidade, formato e cidades anfitriãs.
A maioria dos torneios de futebol pergunta quem é o melhor. A Homeless World Cup faz outra pergunta: o que acontece quando pessoas que viveram na rua têm a oportunidade de representar o seu país? É a competição de futebol de rua mais conhecida do mundo e tem muito em comum com o streetfootballworld festival 06 de Berlim.
Origens
A organização Homeless World Cup foi cofundada por Mel Young e Harald Schmied em 2001, com o objetivo de defender uma solução global para o problema dos sem-abrigo. O primeiro torneio realizou-se em 2003, em Graz, na Áustria. Uma competição feminina foi acrescentada em 2008 e, desde 2010, todas as edições têm equipas masculinas e femininas.
A sede internacional fica em Edimburgo, na Escócia. A organização trabalha através de mais de 79 parceiros nacionais, que gerem programas de futebol e empresas sociais nos seus países. Portugal está entre os 75 países membros registados em outubro de 2023, tal como o Brasil.
Cidades anfitriãs
O torneio muda de cidade todos os anos. Já passou por Graz, Gotemburgo, Edimburgo, Cidade do Cabo, Copenhaga, Melbourne, Milão, Rio de Janeiro, Paris, Poznań, Santiago, Amesterdão, Glasgow, Oslo, Cidade do México e Cardiff. A edição de 2019, no Bute Park, em Cardiff, foi aberta pelo ator Michael Sheen. A de 2020, prevista para Tampere, na Finlândia, foi cancelada por causa da COVID-19. Sacramento, na Califórnia, recebeu o torneio em 2023, e Seul em 2024.
Quem pode jogar
Os jogadores têm de ter pelo menos 16 anos e não podem ter participado numa edição anterior. Têm também de cumprir uma destas condições:
- ter estado em situação de sem-abrigo depois do torneio do ano anterior, segundo a definição do seu país;
- ter como principal fonte de rendimento a venda de um jornal de rua;
- ser requerente de asilo sem decisão favorável, ou ter obtido autorização de residência no ano anterior ao evento;
- estar em reabilitação de álcool ou drogas e ter estado em situação de sem-abrigo nos últimos dois anos.
A regra de participação única é importante. O torneio pretende ser um passo para sair da situação de sem-abrigo, não uma carreira.
O formato
O jogo foi pensado para campos pequenos e rápidos:
| Regra | Homeless World Cup |
|---|---|
| Jogadores em campo | 4 por equipa (3 de campo, 1 guarda-redes) |
| Suplentes | 4, com substituições volantes |
| Duração | 14 minutos (duas partes de 7) |
| Campo | 22 m × 16 m, relva sintética desde 2015 |
| Pontos | Vitória 3, derrota 0; empates decididos por penáltis com morte súbita (vencedor 2, vencido 1) |
Compare com o futebol de cinco ou com os jogos de doze minutos, cinco contra cinco, do Festival 06: jogos curtos em campos pequenos mantêm todos envolvidos.
No ecrã
O torneio chegou a um público vasto através do cinema e da televisão. Kicking It (2008), narrado por Colin Farrell, acompanhou sete jogadores na edição de 2006, na África do Sul, e estreou no Festival de Sundance. O Canal+ emitiu Hors-Jeu: Carton rouge contre l’exclusion, sobre a edição de Paris em 2011. Em 2023, o filme sul-coreano Dream contou a história de um treinador da seleção de sem-abrigo e, em 2024, a Netflix estreou The Beautiful Game, com Bill Nighy. A FIFA+ transmite o torneio.
O jornalista Rick Reilly disse que cobrir o torneio foi “uma das melhores coisas” que fez em toda a carreira.
Perguntas frequentes
Quando começou a Homeless World Cup?
A organização foi fundada em 2001 e o primeiro torneio realizou-se em Graz, na Áustria, em 2003.
Quantos jogadores tem cada equipa em campo?
Quatro: três jogadores de campo e um guarda-redes, mais quatro suplentes com substituições volantes.
Um jogador pode participar mais do que uma vez?
Não. Cada jogador só pode participar numa edição.
Há equipas femininas?
Sim. A competição feminina foi criada em 2008 e todos os torneios desde 2010 têm as duas.
Conclusão
A Homeless World Cup pega na lógica do futebol de rua, campos pequenos, jogos curtos e acesso aberto, e usa-a para dar visibilidade aos jogadores e uma razão para mudar de rumo. As suas regras merecem um olhar de quem quer organizar um torneio de futebol de rua.