Alemanha 2006: o Mundial que mudou a forma como um país se via
Fan Fests, um novo patriotismo descontraído e um festival de futebol de rua em Kreuzberg: o legado social do Mundial de 2006 e os números por trás dele.
O Mundial de 2006 decorreu na Alemanha de 9 de junho a 9 de julho. A Itália ganhou-o, ao vencer a França por 5–3 nos penáltis depois de um empate a 1–1 na final, e os anfitriões ficaram em terceiro, depois de baterem Portugal por 3–1. Mas aquilo de que muita gente se lembra não é um jogo. É o ambiente, e aquilo que o torneio pareceu mudar na Alemanha.
Um torneio para um país reunificado
Foi o segundo Mundial organizado pela Alemanha, depois de 1974 na Alemanha Ocidental, e o primeiro no país reunificado, com Leipzig, na antiga Alemanha de Leste, entre as doze cidades anfitriãs. Seis seleções estrearam-se em Mundiais: Angola, Ucrânia, Gana, Costa do Marfim, Trindade e Tobago e Togo.
Para os leitores portugueses, foi também o Mundial em que a seleção nacional chegou às meias-finais e acabou em quarto lugar, depois de perder o jogo do terceiro lugar com os anfitriões.
Adeptos sem bilhete
A mudança mais visível foi a Fan Fest. Nos torneios anteriores, os adeptos sem bilhete eram vistos como um risco de segurança. Em 2006, a FIFA e as cidades anfitriãs convidaram-nos a entrar: doze recintos nos centros das cidades mostraram todos os jogos em ecrãs gigantes, com música e eventos culturais. Segundo o turismo alemão, receberam 21 milhões de visitas; só a Fanmeile de Berlim teve 9 milhões. Foi o primeiro evento da história alemã com mais visitantes do que a Oktoberfest.
As Fan Fests também ajudaram a imagem do torneio lá fora. Cerca de 21% dos visitantes estrangeiros entrevistados tinham vindo à Alemanha sem bilhete para qualquer jogo, e 95% dos adeptos estrangeiros inquiridos concordaram que os eventos mostravam o caráter internacional do Mundial. A história completa está no nosso artigo sobre o FIFA Fan Festival.
Um novo tipo de patriotismo
O torneio abriu também um debate nacional. Nas primeiras semanas, as bandeiras e as cores alemãs apareceram por todo o lado: em casas, carros e roupa. Desde a Segunda Guerra Mundial, agitar a bandeira era malvisto na Alemanha. Muitos observadores nos media, na política e na sociedade viram nisto mais do que apoio à seleção: um “novo patriotismo”.
Um estudo da Universidade de Marburgo sugeriu apenas uma ligeira subida do orgulho nacional. As tentativas de grupos de extrema-direita de usar o torneio para propaganda falharam.
Como foram avaliados os anfitriões
As avaliações depois do torneio foram muito positivas:
- O presidente da FIFA, Sepp Blatter, disse que foi a melhor organização da história e elogiou o público acolhedor.
- Um inquérito do Instituto Europeu de Turismo, em Trier, concluiu que 96% dos alemães achavam que o país tinha sido um bom anfitrião, e 93% consideravam simpáticos os adeptos estrangeiros.
- O presidente Horst Köhler atribuiu à seleção o Silbernes Lorbeerblatt, a mais alta distinção desportiva alemã, a 14 de agosto de 2006.
- O selecionador Jürgen Klinsmann recebeu a Bundesverdienstkreuz em fevereiro de 2007.
- Em 2007, a FIFA e as doze cidades anfitriãs ganharam o Prémio Alemão de Marketing Desportivo pelas Fan Fests.
O outro lado do verão
O programa cultural do Mundial deu também lugar a um evento muito diferente. De 2 a 8 de julho, na Mariannenplatz, em Berlim-Kreuzberg, 22 equipas de projetos sociais de cinco continentes jogaram o streetfootballworld festival 06. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Frank-Walter Steinmeier, abriu-o a 2 de julho com uma mensagem “contra a violência, a xenofobia e o racismo”. A Mathare Youth Sports Association, do Quénia, foi a vencedora.
Nem tudo correu como previsto. As equipas do Gana e da Nigéria viram os vistos recusados e não puderam participar. Esse pormenor é um contrapeso útil à imagem de “conto de fadas de verão”: o acolhimento foi real, mas nem todos conseguiram entrar.
Perguntas frequentes
Quando foi o Mundial de 2006?
De 9 de junho a 9 de julho de 2006, em doze cidades alemãs.
Quem ganhou o Mundial de 2006?
A Itália, que venceu a França por 5–3 nos penáltis depois de um empate a 1–1 na final.
Qual é o legado da Alemanha 2006?
O modelo de Fan Fest usado em todos os Mundiais desde então, uma relação mais descontraída com os símbolos nacionais na Alemanha e uma forte imagem internacional do país como anfitrião.
Conclusão
A Alemanha 2006 mostrou que um Mundial podia ser uma festa para pessoas longe dos estádios. É a razão pela qual a Fan Fest existe, e o pano de fundo do festival de futebol de rua para o qual este site foi criado. Mais na nossa secção Cultura do Mundial.