África do Sul 2010: o legado social do primeiro Mundial em África

Centros Football for Hope e Fan Fests, mas também despejos, vendedores afastados e um prejuízo: um olhar honesto sobre o legado da África do Sul 2010.

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O Mundial de 2010, disputado na África do Sul de 11 de junho a 11 de julho de 2010, foi o primeiro em África. A Espanha ganhou-o, ao vencer os Países Baixos por 1–0 após prolongamento no Soccer City, em Joanesburgo. Quatro anos depois da Alemanha 2006, foi também o primeiro Mundial em que a FIFA integrou um programa social na campanha oficial. O seu legado é misto e merece ser olhado com honestidade.

O que foi prometido

A FIFA escolheu a África do Sul em 2004, à frente do Egito e de Marrocos. Construíram-se cinco estádios novos e renovaram-se outros cinco, com custos de construção inicialmente estimados em 8,4 mil milhões de rands (pouco mais de mil milhões de dólares). Os transportes públicos melhoraram, incluindo o Gautrain de Joanesburgo.

A campanha oficial do torneio foi a 20 Centres for 2010, que pretendia construir centros Football for Hope em África, juntando um campo a serviços de educação e saúde. O primeiro abriu em Khayelitsha, na Cidade do Cabo, gerido pela Grassroot Soccer.

O que correu bem

  • Centros comunitários. Abriram centros Football for Hope na África do Sul, Mali, Namíbia, Quénia e não só, e o programa continuou depois do torneio, chegando a Moçambique e Cabo Verde.
  • Fan Fests com marca local. A África do Sul teve dez Fan Fests nacionais que, segundo a FIFA, atraíram mais de 2,6 milhões de adeptos, com Durban e a Cidade do Cabo à frente. O Mangaung Outdoor Sports Centre, em Bloemfontein, foi renovado e manteve as melhorias; a Cidade do Cabo deu espaço a ONG ambientais na sua Fan Fest principal; em Tshwane, fornecedores, comerciantes e artistas locais foram certificados para trabalhar nos eventos e registados para contratos futuros. Veja a nossa história do Fan Festival.
  • Imagem. O evento ajudou a imagem da África do Sul no estrangeiro e o sentimento de identidade nacional, algo importante num país que viveu sob o apartheid.
  • Um fundo de longo prazo. Em 2012, a FIFA lançou o 2010 FIFA World Cup Legacy Trust para apoiar projetos de desporto, educação, saúde e ação humanitária na África do Sul.
  • Organização. O presidente da FIFA, Sepp Blatter, deu à África do Sul nota nove em dez; o principal ponto fraco apontado foram os transportes públicos.

O que correu mal

  • Dinheiro. Os custos de construção de estádios e infraestruturas chegaram aos 3 mil milhões de libras. O governo esperava que o turismo rendesse 570 milhões; entraram apenas 323 milhões, porque vieram 309 000 adeptos estrangeiros em vez dos 450 000 esperados. A FIFA, entretanto, teve 2,24 mil milhões de libras de receitas.
  • Vendedores. Os vendedores locais foram proibidos num raio de 1,5 km dos estádios, a menos que pagassem à FIFA uma taxa de 60 000 rands, muito acima das possibilidades da maioria dos vendedores de rua.
  • Despejos. O torneio foi associado a despejos. Em Durban, o movimento de moradores de barracas Abahlali baseMjondolo levou o governo do KwaZulu-Natal a tribunal em 2009 por causa da sua lei sobre bairros de lata. Na Cidade do Cabo, o projeto N2 Gateway previa retirar mais de 20 000 moradores do bairro informal Joe Slovo, e o campo de Blikkiesdorp foi criticado por ONG e organizações de direitos humanos. Houve quem argumentasse que os despejos já eram comuns e foram atribuídos ao Mundial por engano.
  • Trabalhadores. Em julho de 2009, 70 000 trabalhadores da construção fizeram greve por causa dos salários; a greve resolveu-se em menos de uma semana.

Um torneio antes do torneio

Em março de 2010, três meses antes do pontapé de saída, Durban recebeu também o primeiro Street Child World Cup, em que equipas de crianças que tinham vivido na rua jogaram um torneio de futebol de sete e escreveram a Declaração de Durban sobre os seus direitos.

Perguntas frequentes

Quando foi o Mundial de 2010?

De 11 de junho a 11 de julho de 2010, na África do Sul. A Espanha ganhou.

Qual foi a campanha social oficial de 2010?

A 20 Centres for 2010, que construiu centros Football for Hope em África.

O Mundial de 2010 deu lucro à África do Sul?

Não diretamente. As receitas do turismo ficaram muito abaixo do previsto, embora o evento tenha melhorado a imagem do país.

Conclusão

A África do Sul 2010 trouxe projetos comunitários reais e uma imagem forte, mas mostrou também quem paga e quem lucra quando um megaevento chega a uma cidade. Mais na nossa secção Cultura do Mundial.

Fontes

  1. Wikipedia – 2010 FIFA World Cup
  2. Wikipedia – FIFA Fan Festival
  3. Wikipedia – Football for Hope Movement
  4. Wikipedia – Street Child World Cup

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