Street Child World Cup: o Mundial das crianças de rua
Realizado no país anfitrião de cada Mundial, antes do torneio, o Street Child World Cup junta crianças com ligação à rua para futebol, arte e direitos.
Antes de cada Mundial da FIFA desde 2010, joga-se outro torneio no país anfitrião. Os jogadores são crianças que viveram na rua. O Street Child World Cup junta futebol, um festival de artes e um congresso em que as crianças falam dos seus direitos, e tem muito em comum com o streetfootballworld festival 06 que o antecedeu.
Durban 2010: a primeira edição
O primeiro Street Child World Cup realizou-se em Durban, na África do Sul, de 12 a 22 de março de 2010. Foi lançado pela organização britânica de direitos humanos Amos Trust e organizado localmente pela Umthombo Street Children e pela Universidade de Tecnologia de Durban. O principal patrocinador foi a Deloitte.
Vieram equipas de crianças de rua e antigas crianças de rua do Brasil, África do Sul, Nicarágua, Ucrânia, Índia, Filipinas e Tanzânia, cada uma trazida por uma organização local, além de uma equipa de Manchester, no Reino Unido. Os jogadores tinham entre 14 e 16 anos e todos tinham vivido a tempo inteiro na rua, sem família. Cada plantel de nove jogadores incluía três raparigas.
Jogaram um torneio de futebol de sete. A Índia venceu a Tanzânia na final, as Filipinas ganharam o Escudo e a Ucrânia recebeu o prémio de fair play.
Mais do que um torneio
O futebol era apenas uma parte do evento:
- As crianças criaram obras de arte, depois expostas na Durban Art Gallery e no Foundling Museum, em Londres.
- Uma conferência de jovens produziu a Declaração de Durban, publicada em novembro de 2010, que afirma o direito das crianças de rua a serem ouvidas, a uma casa, à proteção contra a violência e ao acesso à saúde e à educação.
- As raparigas participantes escreveram um Manifesto das Raparigas de Rua, publicado no relatório “Because I am a Girl” de 2010 da Plan International.
As edições seguintes
| Edição | Local | O que aconteceu |
|---|---|---|
| 2014 | Rio de Janeiro | 230 crianças de 19 países, com a Save the Children. Primeiro torneio feminino separado: o Brasil venceu as Filipinas por 1–0. Masculino: a Tanzânia venceu o Burundi por 3–1 |
| 2018 | Moscovo, 10–18 de maio | Mais de 200 jovens de 19 países. Venceram o Brasil (raparigas) e o Usbequistão (rapazes). Apoiantes incluíram Gilberto Silva, Khalida Popal, Ryan Giggs, Gary Lineker e Alan Shearer |
| 2022 | Oxygen Park, Doha | Dez dias com Congresso e Assembleia Geral; lançamento da campanha “One Million and One” por documentos de identificação. Venceram o Brasil (raparigas) e o Egito (rapazes, nos penáltis contra o Paquistão) |
A organização responsável chama-se hoje Street Child United. Estava prevista uma edição de 2026 no México, um dos anfitriões do Mundial de 2026. Na edição de 2022 houve 15 equipas masculinas e 13 femininas.
Para os leitores de língua portuguesa, há um dado que salta à vista: o Brasil ganhou o torneio feminino em 2014, 2018 e 2022.
Porque importa
Tal como a Homeless World Cup, o Street Child World Cup usa a visibilidade do futebol para tornar visível um grupo de pessoas habitualmente ignorado. A campanha pela identificação legal lançada em Doha mostra como isso pode ser concreto: uma criança sem documentos não pode ir à escola, ir ao médico ou viajar para um torneio de futebol. As equipas do Gana e da Nigéria a quem foram recusados os vistos para o Festival 06, em 2006, enfrentaram uma versão do mesmo problema.
Em 2023, o documentário I am Somebody, realizado por Jamillah van der Hulst, foi exibido no Festival de Cinema de Cambridge para chamar a atenção para a situação das crianças de rua.
Perguntas frequentes
Quando foi o primeiro Street Child World Cup?
Em Durban, na África do Sul, de 12 a 22 de março de 2010, antes do Mundial de 2010.
Quem pode jogar?
Crianças com ligação à rua. Em 2010, os jogadores tinham entre 14 e 16 anos e todos tinham vivido na rua sem família.
Quem o criou?
A organização britânica de direitos humanos Amos Trust.
Há equipas femininas?
Sim. Em 2010, cada plantel incluía três raparigas e, desde 2014, há um torneio feminino separado.
Conclusão
O Street Child World Cup transforma o mês antes do Mundial numa plataforma pelos direitos das crianças. Conheça outras competições de futebol de rua ou leia sobre o legado do Mundial de 2010 na África do Sul.