Grassroot Soccer: futebol contra o VIH
Criada por um ex-profissional que jogou no Zimbabué, a Grassroot Soccer usa o futebol para ensinar os jovens sobre o VIH.
O futebol é popular em quase todos os sítios onde o VIH mais fez estragos. A Grassroot Soccer nasceu dessa observação simples: se os jovens aparecem para jogar futebol, o futebol pode ser a forma de lhes dar informação capaz de salvar vidas.
Como começou
Tommy Clark jogou futebol profissional no Zimbabué. Lá viu duas coisas lado a lado: a devastação causada pelo VIH e a enorme popularidade do jogo. Com amigos que tinham vivido experiências semelhantes, Methembe Ndlovu, Ethan Zohn e Kirk Friedrich, cofundou a Grassroot Soccer, registada nos Estados Unidos como organização sem fins lucrativos em 2002.
Nesse ano, os fundadores viajaram para o Zimbabué. Com o apoio do psicólogo Albert Bandura, membro do conselho consultivo, e de parceiros locais, desenvolveram um programa interativo de prevenção do VIH com base no futebol. Foi aplicado pela primeira vez no Zimbabué em 2003.
O que faz hoje
A Grassroot Soccer apresenta-se como uma organização de saúde dos adolescentes. Usa o futebol para dar aos jovens a informação, os serviços e o acompanhamento de que precisam para viver de forma mais saudável. O centro do trabalho continua a ser o programa: atividades com bola em que cada jogo transmite uma mensagem de saúde, seguidas de conversa.
Entre os seus parceiros estiveram a USAID, a Fundação Bill & Melinda Gates, a Elton John AIDS Foundation e a Nike. Em julho de 2010 anunciou uma parceria com a liga Women’s Professional Soccer, nos Estados Unidos, para o Get Active!, uma iniciativa contra a obesidade infantil.
O primeiro centro Football for Hope
Quando a FIFA anunciou os 20 centros Football for Hope ligados ao Mundial de 2010, escolheu a Grassroot Soccer para gerir o primeiro, em Khayelitsha, perto da Cidade do Cabo. Os centros juntam um campo a espaços de educação e de serviços de saúde. Khayelitsha fez parte da primeira fase de construção, entre setembro de 2008 e setembro de 2009. Saiba mais no nosso artigo sobre o Football for Hope.
Funciona?
A Grassroot Soccer foi mais estudada do que a maioria das organizações deste setor. Estudos do Children’s Health Council da Universidade de Stanford, da Universidade Johns Hopkins e da Universidade da Cidade do Cabo, entre outros, sugerem que o programa é eficaz. Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine concluiu que “mais de 90% das crianças deram respostas de atitude positiva ao programa de educação para a saúde”.
Atitudes positivas não são o mesmo que comportamentos diferentes ou menos infeções, e avaliar resultados de saúde é difícil para qualquer programa. Mas esta base de evidência é uma das razões pelas quais a Grassroot Soccer é muitas vezes apontada como modelo no desporto para o desenvolvimento.
Futebol e VIH: um fio comum
A Grassroot Soccer não é a única organização a ligar o futebol ao VIH. No festival de futebol de rua de 2006, em Berlim, os finalistas vencidos foram o KickAIDS, de Pretória, e os campeões, a Mathare Youth Sports Association, usavam o teatro para ensinar sobre o VIH/sida. A ideia de que uma equipa, um treinador e uma bola abrem conversas que a sala de aula tem dificuldade em abrir atravessa todo o setor.
Perguntas frequentes
Quem fundou a Grassroot Soccer?
Tommy Clark, com Methembe Ndlovu, Ethan Zohn e Kirk Friedrich. Foi registada como organização sem fins lucrativos em 2002.
Onde foi aplicado o programa pela primeira vez?
No Zimbabué, em 2003.
Qual é a ligação da Grassroot Soccer à FIFA?
A FIFA escolheu a Grassroot Soccer para gerir o primeiro centro Football for Hope, em Khayelitsha, na África do Sul.
Há provas de que o programa funciona?
Vários estudos universitários sugerem que é eficaz; um deles, no British Journal of Sports Medicine, registou respostas de atitude positiva em mais de 90% das crianças.
Conclusão
A Grassroot Soccer transformou a experiência de um jogador no Zimbabué num dos programas de futebol e saúde mais estudados do mundo. Conheça mais organizações na nossa secção de futebol para o desenvolvimento.