Futebol contra o racismo: Kick It Out, Show Racism the Red Card e FARE
Três organizações que combatem o racismo através do futebol: como começaram, o que fazem em escolas e estádios e as críticas dos próprios jogadores.
Quando o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão abriu o streetfootballworld festival 06, em Berlim, o objetivo declarado era deixar “um sinal claro contra a violência, a xenofobia e o racismo”. Essa mensagem não começou em 2006. Nessa altura, três organizações já tinham passado anos a construir o movimento antirracista no futebol europeu.
Kick It Out
A Kick It Out nasceu em Inglaterra em 1993 como uma campanha chamada “Let’s Kick Racism Out of Football” (“Vamos pôr o racismo fora do futebol”) e tornou-se uma organização em 1997. Trabalha no futebol, na educação e na comunidade para combater a discriminação e promover a inclusão.
É financiada pelos organismos do jogo, incluindo o seu fundador, o sindicato dos futebolistas profissionais (PFA), a Premier League e a Federação Inglesa (FA). O seu trabalho inclui:
- um sistema de denúncia de insultos através do site e de uma aplicação móvel;
- formação em igualdade e diversidade para futebolistas profissionais;
- as conferências anuais Raise Your Game, que orientam jovens que querem fazer carreira no futebol;
- desde 2015, um curso de Igualdade e Diversidade no Futebol com a Southampton Solent University.
Em 2019, ajudou a preparar o manifesto do jornal The Times contra o racismo no futebol, assinado por Raheem Sterling, Andy Cole, Eni Aluko e Sadiq Khan, entre outros.
Show Racism the Red Card
A Show Racism the Red Card (SRtRC) é uma organização de educação antirracista fundada em Inglaterra em janeiro de 1996. O ponto de partida foi um donativo de 50 libras, em 1995, de Shaka Hislop, então guarda-redes do Newcastle United, a uma campanha antirracista local. O fundador, Ged Grebby, construiu a organização sobre uma ideia simples: os futebolistas são exemplos, por isso devem ser usados para ensinar os jovens sobre o racismo.
Produz DVD e materiais pedagógicos, faz workshops em escolas e formação de professores, e organiza eventos com clubes. Os seus materiais têm a participação de jogadores como Thierry Henry, Ryan Giggs, Rio Ferdinand, Didier Drogba e Samuel Eto’o. Há materiais específicos sobre o racismo contra refugiados e requerentes de asilo, a islamofobia e o racismo contra comunidades ciganas e itinerantes. A SRtRC tem escritórios em Whitley Bay, Glasgow e Cardiff e campanhas na Irlanda, Noruega, Suécia, Finlândia e Dinamarca.
FARE
A rede Fare, originalmente Football Against Racism in Europe, foi criada em Viena, em fevereiro de 1999, depois de uma reunião de grupos de adeptos, sindicatos de jogadores e federações. O seu objetivo é combater a discriminação no futebol europeu, e tem o apoio da UEFA, da FIFA e da Comissão Europeia. A Kick It Out tem um papel de liderança na rede.
As críticas
Estas organizações não escaparam às críticas, e algumas das mais duras vieram dos próprios jogadores negros:
- Em 2007, Joleon Lescott, do Everton, recusou vestir uma camisola da Kick It Out depois de Emre Belözoğlu, do Newcastle, ter escapado a castigo por alegados insultos racistas a Joseph Yobo.
- No outono de 2012, depois de uma semana de insultos racistas e violência num jogo de sub-21 entre Inglaterra e Sérvia, vários jogadores, entre eles Rio Ferdinand, Jason Roberts e Micah Richards, recusaram usar camisolas da Kick It Out, em protesto pela falta de ação da organização depois de casos mediáticos.
A queixa era que as campanhas de sensibilização não substituem sanções reais. É um lembrete de que a educação e o castigo têm de funcionar juntos.
Perguntas frequentes
Quando foi fundada a Kick It Out?
Como campanha em 1993 e como organização em 1997.
Como começou a Show Racism the Red Card?
Com um donativo de 50 libras do guarda-redes do Newcastle United Shaka Hislop, em 1995; a organização foi fundada em janeiro de 1996.
O que é a FARE?
A rede Fare, originalmente Football Against Racism in Europe, fundada em Viena em 1999 para combater a discriminação no futebol europeu.
Conclusão
O trabalho antirracista no futebol junta educação, ferramentas de denúncia e pressão sobre as autoridades, e teve de ouvir as críticas dos jogadores que queria proteger. Veja também o nosso artigo sobre o desporto para o desenvolvimento e a paz e a secção de futebol para o desenvolvimento.