Right To Play: como um campeão olímpico criou uma ONG à volta do brincar
Fundada pelo patinador Johann Olav Koss, a Right To Play usa o brincar para ajudar crianças afetadas pela guerra e pela pobreza. Começou em Angola.
Nem todas as organizações de desporto para o desenvolvimento começaram com o futebol. A Right To Play foi fundada por um patinador de velocidade e, com o tempo, afastou-se do desporto organizado para algo mais básico: o brincar. A sua história mostra como o setor mudou desde os tempos do streetfootballworld festival 06.
O que faz a Right To Play
A Right To Play é uma organização internacional sem fins lucrativos cuja missão é usar o brincar para dar força a crianças vulneráveis e ajudá-las a superar os efeitos da guerra, da pobreza e da doença. O seu trabalho está ligado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e centra-se em quatro resultados:
- educação de qualidade;
- saúde e bem-estar das crianças;
- capacitação das raparigas;
- proteção das crianças.
Tem sede em Toronto, programas em 15 países de África, Ásia e Médio Oriente, e escritórios nacionais no Canadá, Alemanha, Noruega, Países Baixos, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos.
A ideia de um campeão olímpico
O fundador é o patinador de velocidade olímpico Johann Olav Koss. A partir de 1994 trabalhou como embaixador da Olympic Aid, angariando atenção e fundos, depois de uma viagem à Eritreia nesse ano. Em 2000 constituiu a Right To Play, transformando um veículo de angariação de fundos numa organização que gere programas para crianças.
Momentos-chave
| Ano | Marco |
|---|---|
| 2000 | Fundação da Right To Play por Johann Olav Koss |
| 2001 | Primeiros programas em Angola e na Costa do Marfim, com o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados |
| 2010 | Líderes indígenas do Canadá propõem uma parceria; hoje trabalha com mais de 70 comunidades indígenas |
| 2013 | Começa a apoiar crianças refugiadas da guerra da Síria na Jordânia e no Líbano |
| 2018 | Integra uma coligação na Cimeira do G7 que pede 2,9 mil milhões de dólares canadianos para a educação das raparigas |
| 2019 | Lidera em Moçambique a coligação que consegue revogar um decreto que obrigava raparigas grávidas e mães jovens a sair do ensino diurno |
| 2020 | Apoia o ensino à distância de crianças afetadas pela COVID-19 |
Dois destes marcos interessam particularmente aos leitores de língua portuguesa: os primeiros programas da organização, em 2001, foram em Angola, e uma das suas vitórias mais claras em políticas públicas foi em Moçambique, onde raparigas grávidas e mães jovens deixaram de ser obrigadas a estudar à noite.
Do desporto ao brincar
A maior mudança da Right To Play foi de método. Começou com programas de desporto para o desenvolvimento, mas foi-se deslocando para a aprendizagem pelo brincar: usar jogos e brincadeiras dentro da educação, e não só num campo. Passou também de gerir programas diretamente para trabalhar com governos e sistemas de ensino, para gerar mudança à escala nacional.
Essa mudança reflete um debate de todo o setor. O desporto competitivo, incluindo o futebol, atrai os jovens e cria exemplos, mas também seleciona os mais talentosos e pode deixar outros de fora. As abordagens baseadas no brincar tentam chegar a todas as crianças de uma turma.
Um choque com os Jogos Olímpicos
Em outubro de 2008, o Comité Olímpico Internacional e a organização dos Jogos de Inverno de Vancouver 2010 anunciaram que a Right To Play não teria um papel oficial no evento. A razão eram os patrocínios: patrocinadores da Right To Play, como a Canon, o Scotiabank e a Mitsubishi, concorriam com patrocinadores olímpicos como a Kodak, o Royal Bank of Canada e a General Motors. Até então, a Right To Play, e antes dela a Olympic Aid, tinha tido presença oficial em todos os Jogos desde 1994. O episódio mostrou como os interesses comerciais podem chocar com a vertente social dos grandes eventos desportivos.
Perguntas frequentes
Quem fundou a Right To Play?
O patinador de velocidade olímpico Johann Olav Koss, em 2000.
Onde trabalha a Right To Play?
Em 15 países de África, Ásia e Médio Oriente, com sede em Toronto.
A Right To Play é uma organização de futebol?
Não. Começou com programas de desporto para o desenvolvimento e hoje centra-se na aprendizagem pelo brincar.
Conclusão
A Right To Play mostra outro caminho dentro do mesmo setor que projetos de futebol como a Grassroot Soccer e a Mathare Youth Sports Association seguiram. Mais na nossa secção de futebol para o desenvolvimento.